Compartilhe

Cellebrite, UFED e perícia forense em celulares: o que realmente pode ser extraído?

Cellebrite, UFED e perícia forense em celulares: o que realmente pode ser extraído? | OSINT Brasil
Guia Max Intel · Cyber Threat Intelligence

O conjunto de ferramentas forenses israelense usado pela polícia em todo o mundo — o que suas próprias matrizes de suporte vazadas dizem que ele pode e não pode fazer, por que a comparação entre BFU e AFU decide quase tudo e a única contramedida que supera todas as outras.

Por RDS @RDSWEB · Última atualização: 6 de setembro de 2026 · Blog osintbrasil.blogspot.com

☕ Apoie o blog via PayPal

A Cellebrite é o kit de ferramentas de extração de dados de celulares mais amplamente utilizado pelas forças policiais. Quase tudo o que é publicado sobre ela é marketing do fornecedor ou especulação. Este material utiliza uma fonte melhor: as próprias matrizes de suporte internas da Cellebrite, vazadas três vezes entre abril de 2024 e outubro de 2025, nas quais a empresa informa a seus clientes exatamente onde suas ferramentas falham.

Por que isso importa para investigação defensiva: entender o que um kit de ferramentas forenses pode extrair de um dispositivo apreendido é alfabetização forense — o mesmo conhecimento que um advogado de defesa precisa para contestar a confiabilidade de uma extração em juízo.

BFU vs AFU: a distinção que decide tudo

Quase toda discussão sobre perícia forense em celulares é, na prática, uma discussão sobre o estado do aparelho. Um dispositivo apreendido se enquadra em uma de três categorias, e a diferença entre elas é muito maior do que a maioria imagina:

🔒 BFU — Antes do Primeiro Desbloqueio

Não foi desbloqueado desde que foi ligado. As chaves de criptografia de disco completo não estão na memória. Os dados estão realmente criptografados. Este é o estado desejado.

🔓 AFU — Após o Primeiro Desbloqueio

O aparelho foi desbloqueado ao menos uma vez desde a inicialização e, em seguida, bloqueado novamente. As chaves residem na RAM. A maioria dos telefones apreendidos está nesse estado.

👁️ Desbloqueado

Um perito examina o aparelho diretamente. É o caso forense mais simples, e nenhuma contramedida de software ajuda.

Por isso "desligar o aparelho" não é um conselho popular, mas é o mais eficaz: um telefone desligado está em estado BFU. Sem chaves na memória, toda a classe de técnicas de recuperação em AFU simplesmente não se aplica. Isso também desativa o desbloqueio biométrico, o que nos EUA tem peso legal — tribunais têm se mostrado mais dispostos a exigir reconhecimento facial ou impressão digital do que uma senha, embora essa área do direito varie por jurisdição.

Os fornecedores reagem exatamente nessa frente: o lançamento da Cellebrite para a primavera de 2026 anuncia suporte ao iOS 26.3 e ao iPhone 17, além de uma "Solução de Temporizador de Inatividade do iOS" voltada a preservar o acesso AFU apesar da reinicialização por inatividade da Apple.

O que dizem as matrizes vazadas

A Cellebrite não divulga suas capacidades — três vazamentos fizeram isso por ela. Em abril de 2024 surgiram as matrizes de suporte para iOS e Android; uma matriz adicional apareceu em fevereiro de 2025. Em outubro de 2025, uma fonte usando o pseudônimo rogueFed participou de uma reunião privada no Microsoft Teams entre a Cellebrite e potenciais compradores do setor público, capturou a tela da Matriz de Suporte de Acesso ao Sistema Operacional Android e a publicou nos fóruns do GrapheneOS — episódio noticiado pela 404 Media.

AlvoBFUAFUDesbloqueado
Pixel 6/7/8/9 — Android puroAlgum acessoAcessoAcesso
Pixel 6a+ — GrapheneOSSem acessoSem acessoPerda do suporte FFS (matriz out/2025)
Builds GrapheneOS anteriores a final de 2022ParcialParcialParcial
Força bruta de senhaNão suportado — não é possível obter controle total
Cópia de eSIM (Pixel)Não suportado — lacuna real com a adoção de eSIM

O Pixel 10 não aparece na lista vazada — a ausência não é evidência de proteção, apenas de um documento com data.

A empresa continuou em movimento: em 13 de agosto de 2026 a Cellebrite nomeou Shiven Ramji como CEO, sucedendo Thomas Hogan, e em 26 de agosto de 2026 lançou o C-TEK, um kit portátil de extração tática voltado às forças armadas.

Por que o GrapheneOS se apresenta de forma tão diferente?

Mesmo hardware, sistema operacional diferente, linha drasticamente distinta na própria tabela da Cellebrite. Os motivos não são glamorosos, mas generalizam bem:

  • Velocidade de aplicação de patches — o GrapheneOS corrigiu a CVE-2024-53197, parte de uma cadeia de exploração ativa da Cellebrite, antes do projeto original.
  • Proteção reforçada de USB — a maioria das extrações ocorre via USB, e o GrapheneOS restringe esse comportamento de forma mais agressiva quando bloqueado.
  • Reinicialização automática — um temporizador configurável retorna o aparelho ao estado BFU após ociosidade.
  • Redução da superfície de ataque — alocador de memória reforçado, isolamento mais rígido, menos caminhos de código expostos.
Ressalva honesta: isto é um retrato do momento, não uma garantia. A capacidade dos fornecedores muda a cada ciclo de atualização, para mais e para menos. Qualquer afirmação de que um telefone é "totalmente seguro" contra perícia forense deve ser vista com ceticismo.

Contramedidas, classificadas honestamente

  1. Desligar o aparelho força o estado BFU, removendo as chaves da memória e desativando o desbloqueio biométrico. Gratuito, instantâneo e mais eficaz que tudo o que segue nesta lista.
  2. Senha longa, não PIN — como a força bruta não pode ser executada segundo as matrizes vazadas, o comprimento da senha é o que separa um disco criptografado de um descriptografado.
  3. Temporizadores de reinicialização automática — o GrapheneOS já vem com um; o iOS tem a reinicialização por inatividade. O Safeguard Mode da Cellebrite e o GrayKey Preserve da Magnet existem justamente para driblar isso.
  4. Firmware reforçado — GrapheneOS em Pixel recente é a configuração que a própria matriz da Cellebrite lista como inacessível; o Modo de Bloqueio do iOS reduz a superfície de ataque em dispositivos Apple.
  5. Ferramentas experimentais — projetos como o "lockup" (Android, código aberto) tentam detectar e burlar técnicas do UFED, mas o próprio autor os classifica como prova de conceito; trate como leitura, não como base de modelo de ameaça.

🛡️ Como se proteger — leitura corporativa e jurídica

  • Verificação por canal secundário para solicitações sensíveis
  • Treinamento contra phishing e engenharia social
  • EDR/XDR com detecção baseada em comportamento
  • Zero Trust e MFA obrigatório
  • Monitoramento contínuo de threat intelligence
  • Plano de resposta a incidentes testado

Perguntas frequentes

O que é Cellebrite?

É o kit de ferramentas de extração de dados de celulares mais usado por forças policiais no mundo, produzido por uma empresa israelense.

O que são BFU e AFU, e por que são mais importantes do que qualquer outra coisa?

BFU é o estado antes do primeiro desbloqueio, com as chaves fora da memória; AFU é o estado após o primeiro desbloqueio, com as chaves residentes na RAM e boa parte do sistema de arquivos acessível mesmo com a tela bloqueada.

O que as matrizes de suporte vazadas da Cellebrite realmente mostraram?

Amplo acesso a Pixels com Android padrão, nenhum acesso a Pixels bloqueados com GrapheneOS recente, e confirmação de que força bruta de senha e cópia de eSIM não são suportadas.

O GrapheneOS realmente impede a ação do Cellebrite?

As matrizes indicam resistência bem maior, mas nenhuma proteção é permanente — a capacidade dos fornecedores evolui a cada atualização.

Qual é a contramedida mais eficaz?

Desligar o aparelho, forçando o estado BFU e removendo as chaves de criptografia da memória.

O que é "lockup" e devo confiar nele?

É um aplicativo Android de código aberto que tenta detectar técnicas do UFED; o próprio autor o descreve como prova de conceito, não como proteção validada.

O Cellebrite é usado apenas pela polícia?

É voltado majoritariamente a forças policiais e órgãos de segurança pública, mas o mercado de perícia digital também inclui uso corporativo e de compliance.

É ilegal ler sobre esses assuntos?

Não. Compreender capacidades forenses publicamente documentadas é alfabetização em segurança digital e apoia tanto a defesa técnica quanto a atuação jurídica.

Centro de Pivô OSINT

Um seletor de entrada — todas as pesquisas relevantes de saída, preenchidas pré-fabricadas.

Pare de copiar e colar o mesmo valor entre ferramentas. Insira um e-mail, nome de usuário, telefone, domínio, IP ou nome uma única vez, e o hub o distribui para todas as 79 ferramentas Max Intel, abrindo cada uma relevante com o valor já preenchido, adicionando o dork de IA correspondente e sugerindo pivôs cruzados. Funciona inteiramente no navegador; nada é carregado.

Como funciona: digite um seletor e clique em "Pivotar". O hub detecta o tipo de identificador (ou você define o tipo manualmente) e exibe os próximos passos — as ferramentas que aceitam esse seletor (e-mail, nome de usuário, telefone, domínio, IP), cada uma já com o valor inserido e a pesquisa executada — além do dork de IA correspondente e das conexões cruzadas que investigadores experientes fazem instintivamente: a parte de um e-mail antes do @ costuma ser um nome de usuário reutilizável; a parte depois é um domínio que vale a pena investigar por si só.
Lembrete de OpSec: mudar de pivô rapidamente não é o mesmo que mudar de pivô com qualidade. Verifique cada descoberta com uma fonte independente antes de construir o próximo pivô sobre ela — o mesmo nome de usuário em duas plataformas não comprova que se trata da mesma pessoa até que outros indícios confirmem isso. Use essas ferramentas apenas em trabalhos autorizados e com fontes públicas.

Ferramentas e guias relacionados ao hub

  • Dorks de IA
  • Pesquisa reversa de e-mail
  • Pesquisa de nome de usuário
  • Domínio OSINT
  • Registrador de evidências
  • Guia de Segurança Operacional

🔎 Encontre uma pessoa

Busca de pessoas · e-mail reverso · telefone reverso · nome de usuário · mídias sociais · endereço/propriedade.

🌐 Investigue infraestrutura

Domínio OSINT · pesquisa/triagem de IP · scanner de violação de domínio · OSINT sem fio/RF · geolocalização · registros comerciais.

📚 Leia os guias

Referência de dorking do Google · guia OSINT para nomes de usuário · remover-se de sites de busca de pessoas · a OSINT é legal? · segurança operacional e atribuição gerenciada.

Perguntas frequentes sobre o hub

O que é o OSINT Pivot Hub?

Uma ferramenta gratuita baseada em navegador que recebe um único seletor — e-mail, nome de usuário, telefone, domínio, IP ou nome — e fornece links para todas as pesquisas relevantes do Max Intel já com o valor preenchido, além do dork de IA correspondente e de correspondências cruzadas sugeridas, eliminando a cópia e colagem manual entre ferramentas.

Meus dados são enviados para algum lugar?

Não. O hub funciona inteiramente no navegador e apenas monta links — nada é carregado, registrado ou armazenado, sem necessidade de cadastro. Clicar em um link de destino consulta o serviço de terceiros normalmente, como aconteceria usando a ferramenta diretamente.

O que é um pivô em uma investigação?

É a transição de uma informação para outra relacionada — de e-mails para contas, de nomes de usuário para plataformas, de domínio para infraestrutura. Boas investigações são uma cadeia de conexões verificadas; o hub agiliza a parte mecânica para que o investigador se concentre na tomada de decisão.

Fonte original desta seção: conteúdo baseado na página "OSINT Pivot Hub" de Ned Walsch, publicada em maxintel.org — Max Intel, kit de ferramentas OSINT gratuito.

Relacionado

Fonte original: conteúdo baseado no guia "Cellebrite, UFED e perícia forense em celulares" de Ned Walsch, publicado em maxintel.org/cellebrite-phone-forensics.html — Max Intel, kit de ferramentas OSINT gratuito.

Este conteúdo é gerado com apoio de inteligência artificial, com base em pesquisa online de artigos noticiosos e relatórios técnicos de terceiros sobre cibersegurança. Nenhuma responsabilidade é assumida quanto à exatidão das fontes externas citadas. Nada neste material tem caráter ofensivo ou instrucional para reprodução de ataques — o objetivo é estritamente defensivo e educacional, apoiando profissionais, empresas e equipes de segurança a se manterem atualizados sobre o modus operandi real de ameaças e a fortalecer uma cultura de boas práticas de segurança da informação, prevenção e resposta a incidentes. Este material não constitui aconselhamento jurídico.

Comentários

Manual de Fontes Abertas

CLICA

Pericia Digital

Como usar um Agente OSINT IA

Postagens mais visitadas