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O enfraquecimento interno das democracias ocidentais. Sem disparar um único tiro.
Do Cambridge Analytica ao TikTok: como as Psy-Ops russas miram a próxima geração.
As democracias ocidentais ainda estão presas a uma visão ultrapassada da desinformação.
Continuam acreditando que a influência russa se resume a propaganda grosseira ou interferência direta em eleições.
Mas isso já ficou para trás.
Hoje, a guerra psicológica do Kremlin é sofisticada, silenciosa e adaptável.
E o principal alvo não são políticos nem eleitores tradicionais.
É a geração mais jovem.
A mais conectada.
E também a mais vulnerável.
Com as redes sociais definindo como os jovens consomem informação, a Rússia passou a explorar inteligência artificial, manipulação algorítmica e coleta massiva de dados para infiltrar espaços digitais onde a propaganda estatal clássica simplesmente não funciona.
O escândalo da Cambridge Analytica deveria ter sido um aviso antecipado.
Ao usar dados pessoais em larga escala, a empresa criou mensagens políticas hiperpersonalizadas, influenciando decisões sem que os usuários percebessem.
Aquilo revelou uma fragilidade profunda no ecossistema digital.
A inteligência russa entendeu isso rapidamente.
Enquanto a Cambridge Analytica buscava manipular votos, Moscou enxergou algo maior:
a chance de moldar mentalidades a longo prazo, atingindo jovens antes mesmo de eles se interessarem por política.
Em vez de criar narrativas do zero, a estratégia passou a ser amplificar, distorcer e radicalizar discursos que já existiam.
Tudo alimentado por algoritmos que recompensam engajamento — não verdade.
E é nesse cenário que o TikTok se torna central.
Diferente de outras redes, o TikTok decide o que você vê.
Você não escolhe.
O algoritmo escolhe por você.
Isso cria um ambiente perfeito para operações de influência invisíveis.
Conteúdos alinhados ao Kremlin se misturam ao fluxo normal, sem qualquer sinal de origem estatal.
Narrativas são reforçadas de forma sutil.
Ideias se repetem.
Dúvidas se instalam.
Não é propaganda direta.
É manipulação da percepção da realidade.
Agentes russos passaram a se infiltrar em subculturas digitais, explorando frustrações, inseguranças e desconfiança no sistema.
Eles atuam em diferentes espectros ideológicos, sempre promovendo divisão, conflito e sentimento anti-institucional.
Com o uso de inteligência artificial, esse processo ganhou escala.
Conteúdos sintéticos imitam pessoas reais.
Opiniões reais.
Vozes reais.
O resultado é devastador.
A checagem de fatos perde força.
E os deepfakes não servem apenas para criar mentiras, mas para algo ainda mais perigoso:
destruir a confiança em todas as fontes de informação.
Quando nada parece confiável, a desistência política vira regra.
Durante a invasão da Ucrânia, o TikTok foi inundado por narrativas pró-Rússia em tempo real.
Propaganda disfarçada de opinião independente.
Histórias falsas misturadas com verdades parciais.
O volume foi tão grande que superou qualquer tentativa de moderação.
O objetivo não era apenas influenciar a visão sobre a guerra.
Era gerar confusão.
Cansaço.
Niilismo político.
Porque quando os jovens passam a acreditar que tudo é mentira, eles se afastam da política.
E isso enfraquece a democracia por dentro.
A próxima fase dessa guerra já está em curso.
Influenciadores artificiais.
Escândalos políticos fabricados.
Áudios, vídeos e conversas falsas com aparência de prova legítima.
Tudo isso vai corroer ainda mais a confiança nas instituições democráticas.
Quando governos e empresas reagirem, a estratégia já terá avançado novamente.
Porque o objetivo final não é fazer as pessoas acreditarem em mentiras.
É fazer com que elas não acreditem em absolutamente nada.
E enquanto isso, o Ocidente segue sem uma resposta clara.
As plataformas reagem tarde.
A inteligência foca no ciberespaço tradicional.
As operações psicológicas seguem quase intocadas.
A aposta russa é de longo prazo.
Se uma geração inteira crescer cética, desengajada e desconfiada da própria ideia de verdade, o objetivo terá sido alcançado.
O enfraquecimento interno das democracias ocidentais.
Sem disparar um único tiro.
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