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Verdade Inconfortável

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Metaverso: vem aí um mundo dentro do mundo

Imagem Pexels
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Metaverso: vem aí um mundo dentro do mundo

Jaime Leonel de Paula Jr
Fundador e Consultor de tecnologia no IVG Instituto Padre Vilson Groh
7 artigos 

Já ouviu falar em Metaverso? No meio que envolve as Big Techs, o tema virou ponto central das discussões mais recentes. O termo foi usado pela primeira vez em 1992 no livro de ficção científica Snow Crash, de Neal Stephenson, e significa, em tradução livre, “além do universo”. Descrever o Metaverso hoje seria quase como explicar, lá nos anos 1980, o que viria a ser a internet, mas vamos tentar.

Basicamente, a ideia é misturar os mundos físico e digital para permitir experiências muito próximas da realidade, em tempo real, o tempo todo. Um espaço coletivo, assíncrono, descentralizado e compartilhado, inclusive com economia própria, resultado da soma de realidade virtual, realidade aumentada e internet. Em uma entrevista recente, Mark Zuckerberg definiu assim o Metaverso: “Em vez de apenas ver o conteúdo, você estará dentro dele“.

As vantagens que já podemos vislumbrar são as possibilidades de estar em vários lugares ao mesmo tempo, quase um teletransporte. Poderemos falar “pessoalmente” com um amigo que mora em outro país, ou entrar numa reunião no nosso escritório mesmo durante uma viagem, interagindo com a equipe em tempo real.

Diferente de jogos como Second Life, Minecraft, Fortnite, o Metaverso não trata de mundos isolados, mas de um universo de plataformas pelas quais o usuário transita livremente, trabalha, faz compras, se relaciona. Em vez de olhar para o mundo virtual por meio de uma tela, seja de computador, celular, videogame, poderemos, literalmente, mergulhar no conteúdo.

Claro que ainda estamos no estágio embrionário dessa nova realidade. Mas o potencial desse mundo novo já movimenta uma verdadeira batalha entre as maiores empresas do planeta no ramo na busca pela vanguarda da nova tecnologia. Apesar do risco explosivo que o Facebook corre por ter influenciado ilegalmente nas eleições, como revelam "The Facebook Papers", a empresa já destinou mais de US$ 50 milhões ao seu projeto de Metaverso, com mais de 10 mil funcionários focados na construção de dispositivos. A Microsoft também está dedicada ao desenvolvimento de tecnologias para convergência dos mundos digital e físico. Nessa mesma linha, o Google está desenvolvendo o Projeto Starline, que simula uma videochamada com holografia entre usuários, que poderão interagir de forma multidimensional. Quando as tecnologias de realidade aumentada estiverem mais comuns e acessíveis, a ideia é que óculos de realidade aumentada passem a ser tão onipresentes quanto hoje são os smartphones.

O Metaverso vem com a proposta de superar as nossas limitações físicas. Isso, por si só, abrirá uma gama incrível de trabalhos que ainda nem sabemos descrever. E se a nossa forma de trabalhar já vem passando por transformações por conta das limitações impostas pela pandemia, o que veremos nascer é uma maneira completamente diferente de realizar as nossas atividades profissionais. O termo “a distância” fará cada vez menos sentido.

Shows musicais, peças de teatro, desfiles de moda, filmes e tudo o que envolve o showbiz poderá ser reinventado. Da mesma forma, a maneira de adquirirmos ingressos, comprarmos roupas, podendo experimentá-las sem ir a uma loja, visitar um imóvel, tudo será transformado a partir das possibilidades do Metaverso.

Por outro lado, desafios que já enfrentamos hoje, como o da privacidade e da proteção de dados, poderão ser elevados à potência. E certamente os crimes virtuais também serão uma ameaça ainda maior. A polarização e a nossa tendência de interagir em bolhas também pode crescer consideravelmente.

O certo é que, junto com as tecnologias de inteligência artificial, machine learning e a chegada do 5G, estamos prestes a acompanhar um novo estágio na era da internet.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

Publicado por

Jaime Leonel de Paula Jr
Fundador e Consultor de tecnologia no IVG Instituto Padre Vilson Groh
7 artigos

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